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Conhecendo as estradas de Dumont: a última senzala

Conhecendo as estradas de Dumont: a última senzala

Data de Publicação: 22 de junho de 2021 11:38:00
A preservação do patrimônio material é importante porque a história comprova: quando a humanidade esquece o seu passado, pode voltar aos erros em algum lugar do futuro

 

 

Por Amarildo Paticcié - Colunista 

A região de Gerais fica na divisa de Dumont com Antônio Carlos. E numa de suas fazendas encontra-se talvez a última senzala em bom estado de conservação da região. Porém, da primeira para a última vez que ali estivemos, parte da área já foi perdida e modificada. Como na entrada da senzala, que agora tem uma piscina.

Nesse dia 22 vale uma reflexão: a escravidão não foi inventada pelos portugueses... Eles seguiram o que já faziam não somente os Romanos, mas povos antes da era de Cristo.

Até 1888, estima-se que 10 milhões de africanos foram sequestrados e transportados pra atuarem como escravos no “novo mundo”, a América. E desse número, quatro milhões vieram para o Brasil, sendo um milhão para Minas Gerais. Objetivo: explorar as riquezas de ouro e pedras preciosas.

Mas parte dessa mão de obra escrava ficava pelo caminho, como patrimônio de fazendeiros que produziam outra riqueza: alimentos. Sim, na região de Borda do Campo, havia as variantes da estrada Real. Eram caminhos que levavam às grandes fazendas produtoras de gêneros alimentícios. Para se ter uma idéia, na região de Vila Rica, por volta de 1720, uma vaca era adquirida por nada menos do que 200 gramas de ouro (a preço de hoje: R$ 62.000,00). Uma prova da escassez de alimentos diante da fartura do metal precioso.

 Renato Russo, na sua música "Fábrica", poetizou: 
"Deve haver algum lugar
Onde o mais forte não
Consegue escravizar
Quem não tem chance"

Aqui não se faz defesa na intervenção de área particular. Mas a preservação de parte do patrimônio histórico é feita em várias partes do mundo por vários motivos, dois deles são muito citados:

1. Gerar recursos com turismo;
2. Enriquecer material didático pra memória de gerações futuras.

Porque é recente a relação de trabalho em que o mais forte ficou proibido de escravizar aquele que não tem chance. Mesmo assim, notícias dão conta de desvios nessa evolução. Por isso a preservação do patrimônio material é importante e a história comprova: quando a humanidade esquece o seu passado, pode voltar aos erros em algum lugar do futuro...

OBS: 
1. A citada fazenda é propriedade particular, que mudou de dono após nosso último registro. Visitas devem ser negociadas;

2. Dados históricos tiveram como fontes:
    2.1 - A criação do Brasil,  Thales Guaracy;
    2.2 - Mantiqueira Berço de Pioneirismo, Victor Kingma.

Contatos via paticciea@gmail.com

Fotos: Amarildo Paticcié

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